21 de fevereiro é o Dia Nacional da Imigração Italiana no Brasil

Os primeiros imigrantes italianos da minha família chegaram ao Brasil em 1º de março de 1887, pelo porto de Santos, a bordo do vapor Poitou. Eles chegaram no período final do Império do Brasil, quando o país era governado pelo imperador Dom Pedro II. Naquela época, o Brasil era o último país das Américas a manter a escravidão; no ano seguinte, em 1888, seria assinada a Lei Áurea, e dois anos depois seria proclamada a República.

Vieram o meu tetravô Giovanni Battista Mantovan, com 60 anos, natural de Rosolina, Rovigo, Vêneto, Itália, casado com minha tetravó Maria Florian, natural de Sant’Elena, Silea, Treviso, Vêneto, Itália. Também veio a família de seu filho Pietro Giovanni Mantovan, meu trisavô, com 28 anos, natural de Sant’Elena, Melma, Treviso, Vêneto, Itália, casado com minha trisavó Thereza Secco, também com 28 anos, natural de San Cipriano, Roncade, Treviso, Vêneto, Itália.

O casal trouxe dois filhos: Luigia Maria Mantovan, com 7 anos, natural de Melma, Treviso, e Giovanni Battista Mantovan, com 1 ano, natural de Sant’Elena, Melma, Treviso. Foi encontrado também o registro de nascimento de Marianna Mantovan na Itália, que não veio para o Brasil, provavelmente falecendo ainda naquele país, embora não tenha sido localizado o registro de óbito.

Além deles, consta Santina Mantovan, com 28 anos, que viajou com seu filho Luigi, de 6 anos. Provavelmente ela era filha do meu tetravô Giovanni Battista Mantovan, porém não foram encontrados registros dela no Brasil.

No registro de matrícula da Hospedaria de Imigrantes de São Paulo, consta que receberam auxílio do governo. Os adultos recebiam 85$000 réis, o que seria aproximadamente equivalente a 13 mil reais em valores atuais; crianças de até 3 anos não recebiam auxílio; crianças de 4 a 6 anos recebiam 21$500 réis; e crianças com mais de 7 anos recebiam 42$500 réis.

Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo-SP - 1887 - Vapor Poitou

O destino registrado foi Lage, provavelmente a Estação de Lage, localizada no município de Santa Cruz das Palmeiras (SP), inaugurada em 1881 como ponta de linha da Linha do Ribeirão Preto, trecho que se estendia além de Casa Branca.

Estradas de Ferro do Estado de S. Paulo / José Rosael/HélioNobre/Museu Paulista da USP

Alguns meses depois, em setembro de 1887, a bordo do vapor Roma, vieram os pais da minha trisavó Thereza Secco, meus tetravós Domenico Secco, com 57 anos, e Marianna Ghinazzi, com 56 anos, acompanhados de mais três filhos: Joseppina, com 19 anos; Maria, com 14 anos; e Giovanni, com 25 anos.

Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo-SP - 1887 - Vapor Roma

Sobre Giovanni Battista Mantovan e Maria Florian, não foram obtidas mais informações após a chegada ao Brasil. Não foram localizados registros de óbito e, por serem idosos, é provável que tenham falecido poucos anos após a imigração. Luigia Maria, filha de Pietro Giovanni Mantovan e Thereza Secco, também não teve documentos encontrados no Brasil após a hospedaria, indicando um possível falecimento ainda na infância.

Pietro Giovanni Mantovan e Thereza Secco tiveram outros filhos no Brasil, nascidos no município de Santa Cruz das Palmeiras (SP). Os registros de nascimento indicam que inicialmente viveram na Fazenda Santa Maria e na Fazenda José Maria. Conforme os registros encontrados, o casal teve nove filhos:

  • Augusta Mantovan (1886–1975)

  • José Mantovani (1887–1947)

  • Antonio Mantovani (1890–1967)

  • Josefina Mantovani (1892–1916)

  • Lourenço Mantovani (1893–?)

  • Adelaide Mantovani (1896–?)

  • Maria Mantovan (1896–1955)

  • Fiori Mantovani (1896–1956)

  • Carolina Mantovani (1896–1962)

A maioria dos filhos viveu em Batatais, Ribeirão Preto, Bonfim Paulista, Brodowski e Cristais Paulista.

O filho italiano Giovanni Battista Mantovan casou-se com a italiana Ozilia Calegari, com quem formou uma bela família.

Maria Mantovan, minha bisavó, casou-se com meu bisavô Giuseppe Livera, natural de Agira, Sicília, Itália. Ele chegou ao Brasil em 1902, a bordo do vapor Etruria, acompanhado da família de sua tia Rosa Altavilla e de sua avó Grazia Algozzina.

Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo-SP - 1902 - Vapor Etruria

Lista de Bordo do Vapor Etruria


Antes mesmo da chegada de Giuseppe Livera ao Brasil, sua tia Rosa Altavilla e sua tia Angela Altavilla já haviam desbravado as terras brasileiras em 1893, a bordo do vapor Rio de Janeiro. A tia Angela permaneceu no Brasil, enquanto a tia Rosa Altavilla retornou à Itália em meados de 1900. Durante essa primeira estada no Brasil, Rosa teve três filhos: Filippo, Silvestre e Pietro. Em 1901, teve uma filha na Itália, Maria, e depois retornou ao Brasil em 1902, juntamente com seu marido Giuseppe Millauro, sua mãe Grazia Algozzina, seu irmão mais novo Filippo Altavilla e seu sobrinho Giuseppe Livera, que veio órfão de pais. Assim, ambos os ramos familiares seguiram suas histórias, cada qual com sua família, desbravando o Brasil e mantendo vivas as raízes da Itália.

Lista de Bordo do Vapor Rio de Janeiro em 1893



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