COMO CONSTRUIR SUA ÁRVORE GENEALÓGICA

O primeiro passo para construir sua árvore genealógica é buscar os registros de nascimento, casamento e óbito de seus avós ou bisavôs. Nesses registros, você encontrará os nomes de seus bisavós e trisavós, iniciando assim a construção da sua árvore.

A plataforma FamilySearch é o maior acervo de registros históricos de antepassados do mundo. Lá, você encontrará registros de batismo, casamentos e óbito de seus antepassados, tanto no Brasil quanto em outros países. Naturalmente, alguns países serão mais difíceis para encontrar dados, mas a Itália, por exemplo, possui diversos documentos antigos que permitem construir sua árvore genealógica por várias gerações.

ONDE ENCONTRAR OS REGISTROS:

Até o final do século XIX, os registros de batismo, casamento e óbito eram mantidos principalmente pelas igrejas, especialmente pela Igreja Católica. Com a proclamação da República em 1889, ocorreu a separação entre Igreja e Estado no Brasil. A partir de 1890, os cartórios de registro civil foram estabelecidos, e os registros de nascimento, casamento e óbito passaram a ser responsabilidade civil. Isso não significa que as igrejas deixaram de registrar esses eventos, mas os registros civis tornaram-se obrigatórios e independentes dos religiosos.

CARTÓRIO CIVIL

Registros a partir do século 20 podem estar disponíveis nos cartórios. Basta entrar em contato com o cartório da cidade onde a pessoa nasceu, casou ou morreu para solicitar o registro de inteiro teor de nascimento, casamento ou óbito. Na minha última pesquisa, eu precisava do registro de casamento do meu bisavô paterno com minha bisavó. Não tínhamos certeza do local do casamento, mas sabíamos que poderia estar em dois municípios no interior de São Paulo. Solicitamos via e-mail para esses dois cartórios, informando os nomes deles e de seus pais. Um dos cartórios respondeu informando que não havia nenhum registro com os nomes do meu bisavô e da minha bisavó. No entanto, esse mesmo cartório fez uma pesquisa mais aprofundada no sistema e encontrou um registro de casamento em outra cidade de uma pessoa com nome semelhante ao do meu bisavô, que teria se casado com outra mulher. E, de fato, meu bisavô havia se casado pela primeira vez com outra mulher. Os dados coincidiam com os do meu bisavô, e assim descobrimos que ele se casou em Santa Cruz das Palmeiras-SP, mas não oficializou a união com minha bisavó após a separação com a primeira esposa. Solicitamos o envio do registro via correio após o pagamento das taxas via PIX.

PARÓQUIAS DAS IGREJAS

Para os registros mais antigos, a plataforma FamilySearch pode ser o caminho mais fácil para encontrar essas informações. Se alguém da sua família já iniciou essa busca na plataforma, você já terá meio caminho andado. No entanto, se você for a primeira pessoa a começar essa pesquisa, será necessário dedicar tempo para buscar essas informações. Isso porque será preciso analisar página por página dos livros de registros históricos para encontrar o nome de seus antepassados. Alguns livros possuem sumários em ordem alfabética, o que facilita a pesquisa, enquanto outros não têm, exigindo mais tempo para folhear e encontrar o nome desejado. Alguns registros podem ser ilegíveis ou danificados pelo tempo, mas mantenha a paciência e concentre-se na pesquisa, pois, com dedicação, você encontrará o que procura.

OUTROS LUGARES

Os lugares onde você pode pesquisar para encontrar outras informações incluem o Arquivo Nacional, o arquivo público do seu estado, casas de memória, igrejas e bibliotecas. Existem vários livros que podem esclarecer a história de alguma região e ajudar a entender a história de um antepassado. Além disso, é útil entrar em contato com pesquisadores ou pessoas que possam estar conectadas à sua árvore genealógica para esclarecer dúvidas. Por último, mas não menos importante, busque vídeos no YouTube que relatem as histórias da região onde você está procurando seus antepassados.

REGISTRO DOS IMIGRANTES

Para registros de imigrantes que chegaram ao Brasil no final do século 19 e início do século 20, o site do Museu da Imigração oferece uma lista de bordo, que inclui a relação dos imigrantes embarcados entre 1888 e 1965, principalmente em portos europeus, com desembarque previsto no porto de Santos. Além disso, você encontrará os registros de matrícula, que contêm dados do livro de registro das pessoas que passaram pela Hospedaria de Imigrantes.

No Arquivo Nacional, é possível realizar a busca nominal de praticamente todas as pessoas que desembarcaram dos vapores que atracaram no cais da cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, entre 1875 e 1912.

PESQUISA EM PRÁTICA

A melhor plataforma para construir sua árvore genealógica é o Family Search, administrado pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. A plataforma disponibiliza ferramentas para construção e permite cruzar dados com árvores de outras pessoas, facilitando assim a pesquisa, totalmente grauita. 

Para iniciar a pesquisa no banco de dados do FamilySearch, você precisa saber o nome do município onde essa pessoa nasceu, casou ou morreu, a fim de procurar essas informações nos registros históricos das paróquias onde esses registros eram realizados. Caso contrário, terá que realizar um trabalho de formiguinha, pesquisando em várias cidades. Se o seu bisavô nasceu, por exemplo, em Ribeirão Preto, você deverá procurar o registro de batismo nas paróquias dessa cidade. Há a possibilidade de seus trisavós terem se casado ou até mesmo falecido neste município, visto que era comum se casarem e, no ano seguinte, terem filhos. No entanto, isso não significa que eles nasceram ali. Ao encontrar o registro de casamento ou óbito, você pode obter informações sobre a cidade natal dos pais e, assim, iniciar a busca em outra paróquia localizada em outro município.

Por exemplo, quem morou na região Sul e Sudoeste do Brasil foi muito influenciado pelos tropeiros entre os séculos 17 e início do século 20. Não era comum as pessoas ficarem na mesma cidade por muitas gerações, e foi o que aconteceu com a família da minha mãe, que já ocupava a região de Castro-PR no século 17, um polo importante para os tropeiros. Depois, eles se deslocaram para Lapa-PR no século 18, em seguida para Soledade-RS no século 19 e, por fim, se instalaram em Foutora Xavier-RS, onde ajudaram a fundar a cidade no século 20.

GRAFIA DOS NOMES

Alguns registros terão os nomes das pessoas modificados por erro ortográfico, mudanças gramaticais ou abreviações. Por exemplo, na Itália, era comum a abreviação dos nomes. O nome Felipe, por exemplo, derivava do latim Philippus, com "ph" representando o som do "f" em grego, já que o nome também tem raízes gregas. Sua abreviação era “Phi”. Muitos nomes tinham base no latim clássico e, com o tempo, foram se adaptando ao italiano moderno. No caso de Philippus, virou Filippus e, depois, Filippo. Outro exemplo é José, que no latim era Ioseph, passou a ser Gioseph e, finalmente, virou Giuseppe. Nomes como Antônio, Domenico, Felipe e Francisco também eram frequentemente abreviados.

Muitos imigrantes, ao chegarem ao Brasil no final do século 19 e início do século 20, tiveram seus nomes aportuguesados. Por exemplo, Giuseppe virou José. Além disso, a comunicação era difícil entre eles, e os escrivães acabavam modificando a grafia dos nomes e sobrenomes. Na minha família, o sobrenome "Altavilla" foi registrado como "Artavila", "Altavile", "Aotavila", entre outros.

Como esses documentos eram escritos à mão, em letra cursiva, alguns registros tinham a escrita um pouco ilegível, o que tornava necessário decifrar os nomes utilizando a técnica de paleografia. Paleografia é o estudo das formas antigas de escrita e dos métodos de transcrição, permitindo uma leitura mais fácil desses documentos. Com o tempo, você perceberá as diferenças nas grafias de algumas letras e conseguirá decifrar os nomes com mais facilidade; a prática será necessária para essa evolução.

DATAS

As datas dos registros também poderiam sofrear alteração, dificultando a pesquisa. No meu caso por exemplo, meu bisavó italiano teve sua data de nascimento alterada, dificultado a procura do seu registro de nascimento na Itália.

Para descobrir as datas aproximadas de alguns registros, nos registros de óbito era comum, até um certo período, mencionar a idade da pessoa no momento do falecimento. Subtraindo essa idade da data de falecimento, é possível chegar a uma data de nascimento aproximada. Para encontrar a data de óbito, também é possível se basear na data do último nascimento de um filho. Se o último filho nasceu ainda no período fértil, a mulher poderia ter falecido jovem; nesse caso, a data de falecimento poderia ter ocorrido entre 5 e 20 anos após o nascimento do filho mais novo, geralmente entre 30 e 50 anos.

Se você possui o registro de casamento, pode considerar que, em geral, os homens costumavam se casar entre 25 e 30 anos, enquanto as mulheres se casavam mais jovens, geralmente aos 20 anos, com base nos dados de meus antepassados na Itália. No Brasil, essa tendência era mais cedo, com mulheres se casando a partir dos 16 anos e homens aos 20 anos. Caso você não tenha o registro de casamento, pode usar a data de nascimento do primeiro filho como referência, pois era comum que os pais tivessem seu primeiro filho cerca de um ano após o casamento, já que as mulheres frequentemente se casavam virgens. Com essas informações, é possível estimar uma data aproximada do nascimento.

CENSO POPULACIONAL

Outro documento que pode ser útil é o censo populacional, que contabilizava o número de habitantes a partir dos residentes das casas. Na Itália e no Brasil, era comum essa prática: o pai representava a família e constava no documento seu nome e sobrenome, seguidos pelo nome da esposa e dos filhos, com suas idades. Com base nos dados do registro, você consegue estimar a data de nascimento e os nomes dos filhos do casal.

DOCUMENTOS INCERTOS

Durante a sua jornada, notará que as informações dos registros ficarão mais simplificadas e que nem todos os documentos possuirão as informações necessárias para o avanço da sua pesquisa. Na Itália, por exemplo, nos séculos 16 e 17, nos registros de casamento, não era comum constar o nome dos pais dos noivos, apenas o nome dos padrinhos. Em alguns registros de batismo, até o século 19, não era comum encontrar os nomes dos avós. Em documentos mais antigos, os registros de batismo mencionavam apenas o sobrenome do pai, dificultando a pesquisa do registro de nascimento da mãe. Era comum que os nomes fossem parecidos, como Ioseph, Francisco, Philippus, Domenico e Antonio, que muitas vezes se casavam com nomes femininos comuns, como Maria, Iosephe, Domenica e Antonia. E, caso tivessem o mesmo sobrenome, isso dificultaria a certeza da conexão parental. Por isso, era importante constar o sobrenome da mãe. Nos registros de óbito mais antigos, poderia constar o nome dos pais ou o nome da esposa ou do marido; em alguns casos, apenas mencionava o nome do falecido. Além disso, quando você não conseguia decifrar o nome do pai ou da mãe, isso dificultava ainda mais a pesquisa.

Os documentos que me ajudaram a avançar mais na minha árvore genealógica foram o registro de batismo e o de casamento. O registro de batismo sempre vai constar o nome dos pais; para confirmar essa união, é preciso encontrar o registro de casamento dos pais e ter clareza sobre os nomes aproximados dos pais no batismo, o que facilitará a busca por esses documentos.

FAMILIARES

Não perca mais tempo e vá conversar com seus pais, tios e avós para coletar o máximo de informações sobre a sua família. Faça gravações, vídeos e registros escritos a partir dos relatos dos seus familiares. Cada informação compartilhada pode contribuir na construção da sua árvore e enriquecer a história da sua família. No meu caso, nos últimos anos, fiz gravações dos relatos de familiares para contar a história dos mais antigos e preservar a memória da minha família.



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