ANTONIO LIVERA - LAVRADOR DE CAFÉ

 ANTONIO LIVERA


O quinto filho de GIUSEPPE LIVERA e MARIA MANTOVAN foi ANTONIO LIVERA (Antonio de Oliveira), nascido em 12 de dezembro de 1927, em Crystaes. Após a morte de seu irmão Joãozinho, ANTONIO tornou-se o caçula da família e vivia na companhia de sua mãe, MARIA MANTOVAN. Desde jovem, trabalhou na lavoura de café junto com seus pais e irmãos, além de vender hortaliças na área urbana de Cristais Paulista, enquanto moravam no sítio na área rural da Chave da Taquara.

ANTONIO é o primeiro da fila dos fundos, posicionado em frente à janela.

Redação do Antonio Livera

ANTONIO estudou na escola “Mista da Chave da Taquara” até a 4ª série, quando tinha 14 anos. Naquela época, o governo ofertava ensino apenas até a 4ª série, e, por isso, ele só conseguiu completar esse nível de estudo. ANTONIO demonstrava habilidade com números e tinha muita facilidade nos cálculos e na escrita. A escola ficava localizada na Chave da Taquara e no casarão do Juca Pedro, em Cristais Paulista.

Em 1951, mudou-se para a área urbana de Cristais Paulista. Seu pai adquiriu um casarão construído em 1917, após vender o sítio. Esse casarão futuramente se tornaria o ponto de encontro da família. Cerca de 7 dias depois de se mudarem, sua mãe faleceu, sem conseguir ver o filho caçula realizar o matrimônio que ela tanto desejava.

Antonia Garcia Oller e Antonio Livera

Ele se casou com ANTONIA GARCIA OLLER em 1º de junho de 1957, em Guapuã. ANTONIA nasceu em 12 de março de 1925, em Crystaes. Era filha de IGNÁCIO GARCIA MIRANDA e MARIA DO CARMO OLLER Granado, ambos naturais de Almería, Espanha. A mãe de ANTONIA, MARIA DO CARMO, também não conseguiu ver sua filha subir ao altar, pois faleceu em 1956 em Cristais Paulista-SP.

No mesmo dia de seu casamento, sua sobrinha PETROLINA LIVERA, filha de seu irmão ARCÂNGELO LIVERA, também celebrou seu matrimônio. Seu pai, GIUSEPPE LIVERA, organizou a festa, que foi regada a muito vinho. Segundo relatos dos participantes, foi uma celebração bastante divertida, com a maioria das pessoas se embriagando, inclusive algumas crianças, deixando o vinho comandar a festa.

ANTONIO e ANTONIA tiveram dois filhos:

·       JOSÉ INÁCIO LIVERA, nascido em 27 de maio de 1958, em Guapuã. Ele recebeu um nome composto em homenagem aos seus avôs: JOSÉ, em referência a GIUSEPPE LIVERA, e INÁCIO, em homenagem a IGNACIO GARCIA MIRANDA.

·       MARIA DO CARMO LIVERA nasceu em 12 de abril de 1960, também em Guapuã. Seu nome foi uma homenagem às avós, MARIA MANTOVAN e MARIA DO CARMO OLLER GRANADO.

GIUSEPPE LIVERA viveu com a família de seu filho ANTONIO até seu falecimento, em 1961. Um episódio marcante de sua convivência aconteceu durante um período em que ele estava doente. Seu neto, INÁCIO, então com apenas 3 anos, demonstrava uma ternura indescritível ao levar sopa para o avô, que estava na cama, com a simplicidade e o carinho de uma criança.

Após a morte de seu pai, ANTONIO adquiriu a parte da herança da casa de seus irmãos, que já possuíam residência na época. Assim, oficializou o casarão de 1917 como o legítimo lar de sua família, perpetuando a história e as memórias das gerações anteriores.

Casarão de 1917

ANTONIO era apaixonado pela terra. No quintal de sua casa, ele cultivava diversas árvores frutíferas, como mangueira, jabuticabeira, limoeiro, caramboleira, coqueiro, macieira e uma árvore Uvaia cuja semente ele trouxe das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu-PR. Além disso, ANTONIO dedicava-se ao cultivo de hortaliças e à criação de galinhas e galos, expressando sua conexão com a natureza e o prazer de cuidar da terra. Para garantir o sustento da família, além de trabalhar na lavoura de café, ele atuou como sapateiro, vendedor e até cultivou mel dentro de casa.

Quintal da Casa de Antonio e Antonia

Nas horas de lazer, ANTONIO gostava de jogar cartas com seus irmãos e amigos. Seu irmão Victor, fiscal de uma fazenda e com boa condição financeira, comprou um rádio. Naquela época, as pessoas ficavam espantadas, não entendendo como era possível ouvir uma voz ao ligar o aparelho.

Teve sua 1º televisão em 1981, mas nunca foi fã de assistir televisão. Mas apreciava o programa da Mezita Barroso e dos Trapalhões. Era um amante do rádio, sendo sua favorita a rádio 'Três Colinas', que tocava os modões da época e o mantinha bem informado sobre as notícias.

ANTONIA GARCIA OLLER tinha um carinho especial pelas flores e adorava cultivar plantas brancas e rosas em seu jardim, trazendo delicadeza e beleza ao lar que construíram juntos.

Toninha no quintal

ANTONIA tinha o apelido carinhoso de Toninha. Durante sua juventude, seu pai, muito exigente, não deixava nenhum filho sem trabalho. Na época, eles acordavam às 5h30 da manhã para trabalhar no sítio. Na propriedade chamada Sítio Cabeceira do Barreiro, cultivavam café, batata inglesa, feijão, milho, hortaliças e criavam gado, vacas, porcos, galinhas, galos, patos e perus. Sua mãe, Maria do Carmo, fazia pão, sabão, abatia porcos e cozinhava para a família.

Toninha conseguiu estudar apenas até a segunda série, mas sabia juntar as palavras e se comunicar bem. Ela gostava de frequentar a igreja da Chave da Taquara e passear pela praça de Cristais Paulista. Seu pai tinha uma carroça e, frequentemente, levava ANTONIA e seus irmãos para passear.

Toninha adorava cozinhar. Seus pratos preferidos eram macarronada, frango caipira, polenta e, especialmente, doce de abóbora, que se tornou uma tradição familiar. Mesmo após seu falecimento, em 1991, seu esposo ANTONIO manteve a tradição de preparar o doce para os netos, filhos e nora, que amavam esse sabor marcante da família.

Reunião em família

Além de cuidar dos filhos, da casa e de cozinhar, Toninha também trabalhava como costureira e bordava. Costurava para sua família e oferecia seus serviços para amigos e colegas da cidade. Ela também era benzedeira, prática que iniciou aos 28 anos, após uma visão em que ouviu uma voz dizendo: 'Você tem que ajudar as pessoas e precisa ser benzedeira.' Seu pai e suas irmãs, CARMEN, MERCEDES e MARIA, também eram benzedeiros. A sexta-feira era o dia em que mais pessoas a procuravam para benzer, buscando alívio para males como mau-olhado, quebranto, vista cansada, espinhela caída, dores na coluna, dor de cabeça, entre outros.

Quando Toninha recebia os netos em casa, corria até o mercado para comprar guarda-chuvas e moedas de chocolate, e preparava seu famoso doce de abóbora para recebê-los. Ela transmitia paz, bondade e muito amor. Todos que a conheceram só faziam elogios, sempre destacando as qualidades maravilhosas de Toninha.

ANTONIA faleceu de câncer em 9 de agosto de 1991, aos 66 anos, um mês antes do nascimento de seu neto Alexandre, que veio ao mundo em 9 de setembro de 1991.

Em dezembro de 2015, meses antes de seu falecimento, ANTONIO estava bem lúcido, embora com dificuldades para caminhar devido à idade. Naquele período, estava caminhando com sua neta Maristela na praça de Cristais Paulista, quando um homem dirigindo um carro nos parou na rua e pediu para conversar um pouco com ANTONIO, pois era amante da cidade e gostaria de gravar esse relato para compartilhar com sua mãe. Ele fez algumas perguntas, e uma delas surpreendeu sua neta pela resposta: ANTONIO disse que estava viúvo há tantos anos, meses, dias e horas, o que demonstrava o amor e carinho que ainda nutria por sua esposa, calculando o tempo de sua ausência com tanto sentimento. Alguns anos depois, esse homem, Ronaldo Sathler, criou o canal "Memórias e Vidas - Ronaldo Sathler" no YouTube para compartilhar relatos de moradores da região de Franca-SP, mas infelizmente não conseguiu recuperar a gravação daquele momento. No entanto, o relato permanece guardado na memória daquele momento especial. ANTONIO faleceu no dia 17 de abril de 2016, em Cristais Paulista. Ambos estão sepultados em Cristais Paulista-SP.

Antonio com sua família

ANTONIO LIVERA - RELATO HISTÓRICO DE SEU FILHO JOSÉ INÁCIO LIVERA

ANTONIO LIVERA sempre foi um homem muito trabalhador e vaidoso, que gostava de se vestir elegantemente. Durante sua juventude, trabalhava com o pai, GIUSEPPE LIVERA, em um sítio onde realizava diversas tarefas e era responsável por levar a produção de verduras para vender em Cristais Paulista e Franca, utilizando uma carroça puxada por um burro.

Antonio com os Gados

Em uma dessas viagens, ANTONIO conheceu uma moça e começou a namorá-la. Ela morava a cerca de 10 quilômetros do sítio, e os dois passaram a se encontrar. Certo dia, ele marcou uma visita para conhecer os pais dela. Determinado a causar boa impressão, percorreu a distância de bicicleta, mas, ao chegar, percebeu que a moça não queria mais saber dele. Apesar da situação desconfortável, o pai dela o acolheu e ofereceu hospedagem. Mesmo contrariado, ANTONIO aceitou passar a noite lá, mas, às 5 horas da manhã, já estava de pé, recusando até mesmo o café da manhã.

Algum tempo depois, o destino o aproximou de sua futura esposa, minha mãe. Os sítios de seus pais eram relativamente próximos – meu avô materno era espanhol, e o paterno, italiano. Eles se conheceram em encontros da comunidade, como na igreja, iniciando uma nova história de amor que mudou os rumos de sua vida.

Durante sua vida em Cristais Paulista, ANTONIO trabalhou em uma venda pertencente ao SR. JEROMINHO, que mais tarde se tornou seu compadre. A venda era um ponto de referência na região, oferecendo desde secos e molhados até roupas e ferramentas. À noite, ANTONIO ajudava JEROMINHO na confecção de butinas, aprendendo também essa habilidade artesanal.

ANTONIO diversificava suas atividades para sustentar a família. Produzia vassouras com plantas que cultivava, extraía e vendia mel, e arrendava pequenos pedaços de terra para plantar amendoim, arroz e feijão. Durante as férias, ele fazia questão de compartilhar a colheita com os filhos, enchendo sacolas para que levassem alimentos para casa.

Outra ocupação importante em sua trajetória foi o trabalho nos fins de semana no Supermercado Marques, em frente à Praça Central de Cristais Paulista. Mesmo aos 45 anos, ele continuava a buscar formas de complementar sua renda. Um de seus filhos chegou a trabalhar nesse supermercado por dois anos e meio antes de seguir outros caminhos.

ANTONIO também gostava de caçar, prática comum na época, antes da regulamentação ambiental. Ele caçava veados, pacas, capivaras e tatus, conectando-se com a natureza em suas aventuras.

Além de suas ocupações, ANTONIO se destacou pela organização e preservação da história familiar. Foi o único entre os irmãos que guardou documentos e objetos históricos, garantindo que as futuras gerações conhecessem suas raízes.

Ele tinha um vocabulário único e bem-humorado: chamava o café de “gaespe”, o banheiro de “esburdelar” e brincava com as pessoas, chamando-as de “mandruco”. Mulheres bonitas recebiam o apelido carinhoso de “pitulita”.

Sua habilidade com números e sua inteligência prática também eram impressionantes. ANTONIO resolvia sozinho problemas elétricos, como trocar fusíveis e instalar lâmpadas, e cozinhava com destreza. Após a morte de sua esposa, tornou-se autossuficiente, preparando doces de abóbora e figo, além de refeições completas como arroz, feijão e carne.

Extremamente higiênico, ANTONIO lavava latas antes de abri-las e panelas já limpas, garantindo que tudo estivesse impecável. Esse cuidado passou para sua filha MARIA DO CARMO, que até hoje mantém o hábito.

Embora nunca tenha aprendido a dirigir, ANTONIO demonstrava qualidades que fariam dele um motorista cuidadoso. Ele preferia se dedicar às tarefas que já dominava com maestria.

ANTONIO LIVERA foi um exemplo de trabalho duro, resiliência e dedicação à família. Suas histórias, hábitos e ensinamentos deixaram um legado que permanece vivo nas memórias e nas práticas de seus descendentes.



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