ARCANGELO LIVERA - MOTORISTA DA FUNERÁRIA TEDESCO
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| Arcângelo Livera |
O Tio Arcangelo Livera (Arcangelo De Oliveira), nasceu em 4 de março de 1917, na fazenda Angolla, em Batatais-SP, era filho mais velho de Giuseppe Livera e Maria Mantovan, foi um homem de espírito simples e determinação incansável. Ele deixou o sítio ainda jovem, em busca de novas oportunidades na cidade, onde encontrou emprego como motorista de funerária na Funerária Tedesco, em Franca, São Paulo. Foi nesse trabalho que ele se dedicou por grande parte da vida, até o momento em que a saúde o afastou das suas atividades.
Ele
se casou com Maria Hypolitto em 9 de setembro de 1938, em Crystaes, atual
Cristais Paulista. Ela era natural de Franca, nascida em 8 de outubro de 1917,
filha do italiano Domingos Hypolitto, natural de Catanzaro, Calábria, Itália, e
de Paiva, também natural da Itália. Juntos, tiveram uma filha, Pedrolina Maria
Livera, mas, infelizmente, Maria Hypolitto faleceu alguns dias após o
nascimento de sua primeira filha.
Arcangelo
se casou novamente em 16 de outubro de 1946 com Marina Altavilla, em São José
da Bela Vista, São Paulo. Marina era natural de São José da Bela Vista, nascida
em 10 de agosto de 1920, filha do italiano Felipe Altavilla, natural de Agira,
Sicília, Itália, e de Joanna Di Verne, natural de Nápoles, Itália. Juntos,
tiveram um filho, José Roberto Livera, que trabalhou no açougue.
Marina era prima de Arcangelo por parte de pai; o tio, Felipe Altavilla, era irmão de Maria Altavilla, mãe de Giuseppe Livera. Ela tinha um irmão chamado Domenico, que morava em São José da Bela Vista. Marina possuía uma deficiência na voz, o que a deixava um pouco fanha, mas era uma pessoa muito gentil e agradável, sempre dedicada a bem receber as visitas.
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| Marina Altavilla e José Roberto Livera |
Arcangelo
era conhecido por sua hospitalidade. Visitar sua casa era sempre um convite
para momentos agradáveis ao redor da mesa. Quando se mudou para uma nova casa,
encontrou um quintal cimentado e imediatamente percebeu que aquilo não
combinava com sua essência e paixão pela terra. Com um olhar atento e um amor
por cultivar, Arcangelo quebrou todo o cimento do quintal para criar canteiros
de horta, recusando-se a aceitar um espaço que, como ele dizia, 'não dava
produtividade'.
Ele transformou aquele espaço em um verdadeiro jardim com couves vistosas, alfaces frescas, cebolinhas e até alho, sempre organizados com esmero. A couve, especialmente, era o orgulho dele — era uma alegria poder vê-las crescerem grandes e vigorosas. Sua dedicação e o respeito pela terra mostravam um lado profundo da sua personalidade, que valorizava o natural, o cuidado e o cultivo, revelando o prazer que ele sentia em ver as plantas prosperarem, com a convicção de que somente a terra poderia dar vida ao que ele plantava.
Dentre
os irmãos, Arcangelo era o mais diferenciado. Ele era culto e ensinava os
irmãos a ler e escrever. Quando os irmãos atingiram 14 anos, tiveram a oportunidade
de ir para a escola, onde, naquela época, o ensino ia até a 4ª série, que era o
limite na região.
Arcangelo
desenvolveu uma habilidade peculiar: ele conseguia falar de trás para frente,
criando praticamente um novo idioma, e se comunicava com os irmãos dessa forma.
Por exemplo, 'Franca' se tornava 'Acnarf'.
Bem
na entrada de sua residência, que na época ficava em uma rua ainda não
asfaltada, durante um dia chuvoso, Arcangelo acabou escorregando e quebrou o
fêmur. Após essa queda, ele contraiu uma infecção e, infelizmente, veio a
falecer.
Ele
era padrinho de José Inácio, que relatou que Arcangelo tinha um açougue, que
funcionava como um pequeno mercadinho. Ele sempre servia o famoso refrigerante
Maçã Bugrê e oferecia um biscoito para comer. Era muito agradável com seu
afilhado, especialmente em uma época em que não era comum dar presentes.
Todas as vezes que alguém morria em Franca e seria sepultado em Cristais Paulista, Arcangelo era quem conduzia o carro da funerária durante o cortejo. Ele sempre parava na casa de seu irmão Antônio Livera, em Cristais Paulista, para prosear e tomar um café.
Tio Arcangelo Livera faleceu em 26 de maio de 1978, após um acidente que mudou sua vida. Na época, ele morava em uma rua ainda não asfaltada, e em um dia chuvoso, acabou escorregando na entrada de sua casa, quebrando o fêmur. A fratura levou a uma infecção, que, infelizmente, acabou sendo a causa do seu falecimento. Sua morte foi um grande luto para a família, mas seu legado de trabalho duro, amor pela terra e acolhimento permanece vivo nas lembranças de todos que o conheceram.


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