DA ITÁLIA AO BRASIL: A JORNADA DE GIUSEPPE LIVERA E SUA HISTÓRIA INSPIRADORA
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| Giuseppe Livera |
GIUSEPPE LIVERA nasceu em 13 de abril de 1888, na cidade de Agira, Enna, Sicília, Itália. Era filho de ARCANGELO LIVERA, que tinha 29 anos na época de seu nascimento, nascido em 1859, em Agira, Itália. Sua mãe, MARIA ALTAVILLA, tinha 21 anos, nascida em 20 de outubro de 1866, também em Agira, Itália. Seus avós paternos eram GIUSEPPE LIVERA e ANNA MINEO, e seus avós maternos, SILVESTRE ALTAVILLA e GRAZIA ALGOZINA, todos italianos da Sicília.
GIUSEPPE LIVERA veio para o Brasil órfão de pai e mãe, junto com a família de sua tia ROSA ALTAVILLA, seu tio GIUSEPPE MILLAURO, seus primos FILIPPO MILLAURO, SILVESTRE MILLAURO, PEDRO MILLAURO E MARIA MILLAURO, seu tio FILIPPO ALTAVILLA e sua avó GRAZIA ALGOZINA. Em 1902, aos 14 anos, embarcou no navio ETRURIA, partindo de NÁPOLES, ITÁLIA, com destino ao porto de SANTOS, SÃO PAULO, viajando de 3ª classe.
Conforme alguns registros de casamentos e nascimentos da família Altavilla, cada membro da família teve um destino diferente.
Tia ROSA
ALTAVILLA já tinha morado no Brasil, ela veio em 11 de junho 1893 no
vapor Rio de Janeiro saindo de Genova na Itália, desembaracaram no Brasil em e sua família tiveram o
mesmo destino para Santa Cruz das Palmeiras e, posteriormente, foram morar na
região de Rifiana, Igaçaba e pedregulho e , onde foram registrados os
casamentos de seus filhos e nascimentos de alguns netos.
Ela ficou viúva antes de 1909, embora a data exata
do falecimento de GIUSEPPE MILLAURO
e o local onde ocorreu ainda não tenham sido descobertos. Essa informação
também consta nos registros de nascimento de seus netos, onde é indicado que
Giuseppe já havia falecido. Em 1909, Rosa se casou novamente em Conquista-MG
com VICTOR FERRANTE. Após esse
período, passou a residir no município de Pedregulho, onde está enterrada.
FELIPE MILLAURO, após se casar, morou em Pedregulho. SILVESTRE MILLAURO, depois de seu casamento, passou a residir em
Rifaina. PEDRO MILLAURO também se
estabeleceu em Rifaina após se casar. Sobre MARIA MILLAURO, não encontramos registros de casamento ou de
nascimento de filhos em seu nome, o que indica a possibilidade de ela ter
falecido ainda jovem.
Tio FILIPPO ALTAVILLA se casou em Tambaú-SP, comarca de Casa Branca, que também ficava
próxima de Palmeiras. Posteriormente, morou em Batatais, onde teve um filho, e
depois se estabeleceu em São José da Bela Vista, próximo a Franca-SP, onde teve
uma filha.
Sobre sua avó GRACIA ALGOZINA, há poucas informações sobre sua passagem pelo Brasil. No entanto,
no registro de nascimento de seu neto João Morelli, filho de ANGELA ALTAVILLA, nascido em 1907 em
Rifaina-SP, consta que GRACIA
residia em Rifaina. No registro de nascimento de sua neta Pascoalina Morelli,
nascida em 1910 também em Rifaina, foi indicado que GRACIA já havia falecido.
TRAJETÓRIA EM SANTA CRUZ DAS PALMEIRAS-SP
Em SANTA CRUZ DAS PALMEIRAS, GIUSEPPE LIVERA trabalhava em uma
fazenda na lavoura de café, onde conheceu GIUSEPPINA BAZILIO. Eles se casaram quando ele tinha 22 anos, no dia 3 de setembro de
1914, às 17h, no cartório de SANTA CRUZ
DAS PALMEIRAS-SP. GIUSEPPINA, que era doméstica, tinha 18 anos e era
natural de SANTA CRUZ DAS PALMEIRAS-SP, filha de FRANCISCO BAZILIO e AIDA
PETROLLO. No registro de casamento, os pais de GIUSEPPE foram identificados como ARCANGELO LIVERA e MARIA ALTAVILLA, ambos já falecidos.
Essa relação não durou muito tempo. Não se sabe o motivo da separação entre GIUSEPPE LIVERA e GIUSEPINA BAZILIO, mas, após o término, GIUSEPPE foi morar em BATATAIS, onde conheceu MARIA MANTOVAN.
Com base em um registro de nascimento, consta que GIUSEPPE LIVERA teria tido uma filha com GIUSEPPINA, chamada ACÁCIA OLIVEIRA, nascida em 2 de junho de 1917, às 20h, em Santa Cruz das Palmeiras.
Neste registro, GIUSEPPE LIVERA não foi o declarante do nascimento. Quem declarou foi Vicente Ferreira de Paula, que informou que GIUSEPPE LIVERA era português e que seu nome seria JOSÉ OLIVEIRA, filho de SALVADOR DE OLIVEIRA e MARIA ALTAVILLA. Na realidade, Giuseppe era italiano, e seu pai se chamava ARCANGELO LIVERA. Isso sugere que a pessoa que declarou o nascimento não tinha intimidade social com GIUSEPPE. Pelo sobrenome Ferreira de Paula, não é possível afirmar se Vicente era um parente próximo de GIUSEPPINA ou apenas um amigo.
Porém, o primeiro filho legítimo de GIUSEPPE LIVERA com sua segunda
companheira, MARIA MANTOVAN, nasceu
em 10 de março de 1917, em Batatais, ou seja, três meses antes do nascimento de
ACÁCIA OLIVEIRA. Isso levanta
dúvidas sobre a paternidade de ACÁCIA,
já que, no período em que ela teria sido concebida, Giuseppe já estava
convivendo com MARIA MANTOVAN.
Não sabemos informar se GIUSEPPE LIVERA chegou a saber sobre o nascimento de ACÁCIA. No registro de óbito de GIUSEPPE LIVERA, não consta nenhuma
menção a ACÁCIA.
Através de uma pesquisa no FamilySearch,
encontramos uma certidão de nascimento de uma criança chamada MARIA JOANNA, nascida em 23 de novembro
de 1919, em Santa Cruz das Palmeiras, filha de JOSÉ DE OLIVEIRA e JOSEPINA
BAZÍLIO. O registro não foi declarado pelo pai, mas por um homem chamado
Pedro, que mencionou os mesmos dados presentes no registro de nascimento de ACÁCIA, indicando que o pai seria
português, filho de SALVADOR DE OLIVEIRA
e MARIA ALTAVILLA.
Nesse período, GIUSEPPE
LIVERA e MARIA MANTOVAN estavam
morando em Rifaina-SP, e MARIA MANTOVAN
estava grávida de VICTOR LIVERA, que
nasceu em 13 de fevereiro de 1920.
TRAJETÓRIA EM BATATAIS-SP - FAMÍLIA LIVERA & MANTOVAN
GIUSEPPE LIVERA decidiu buscar novas oportunidades em
BATATAIS após sua separação de GIUSEPPINA.
De acordo com alguns registros, seu tio FILIPPO
ALTAVILLA já residia na região desde 1915, o que pode ter influenciado sua
decisão de se mudar para a cidade, seja por motivos familiares ou pela oferta
de maiores oportunidades na época.
Provavelmente ele GIUSEPPE conheceu MARIA MANTOVAN em Batatais, porque os irmãos de Maria já residiam em Batatais. Segundo o relato de MARIA DO CARMO LIVERA (filha de Antonio Livera), MARIA MANTOVAN também havia terminado um relacionamento anterior, o que facilitou a união entre ela e GIUSEPPE.
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| Maria Mantovan |
MARIA MANTOVAN era ítalo-brasileira, nascida em 6 de maio de 1896, em Santa Cruz das Palmeiras,
SP. Ela era filha de PIETRO GIOVANNI MANTOVAN, nascido em 9 de outubro de 1854, em Sant'Elena, Melma, Treviso,
Vêneto, Itália, e de TERESA SECCO,
nascida em 24 de outubro de 1858, em San Cipriano, Roncade, Treviso, Vêneto,
Itália.
Embora GIUSEPPE e MARIA não tenham oficializado sua união na Igreja ou no civil, apesar de alguns registros de nascimento dos filhos indicarem que teriam se casado, pesquisas realizadas em cartórios, no acervo do Family Search e relatos de familiares confirmam que eles não formalizaram o casamento. Optaram por viver em união estável, mantendo um relacionamento baseado no respeito mútuo. Juntos, construíram uma família unida, trabalhadora e generosa, marcada por valores sólidos e harmonia.
GIUSEPPE e MARIA
tiveram juntos seis filhos homens, que são:
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Arcangelo Livera – nascido em 10 de março de 1917, em
Batatais, SP
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Victor Livera – nascido em 13 de fevereiro de 1920,
em Rifaina, SP
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Pedro Livera – nascido em 5 de março de 1923, em
Batatais, SP
·
Paschol Livera – nascido em 10 de abril de 1926, em
Pedregulho, SP
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Antonio Livera – nascido em 12 de dezembro de 1927, em
Crystaes, SP
·
João Livera – nascido em 17 de outubro de 1930, em
Crystaes, SP
O primogênito, ARCANGELO LIVERA, nasceu em 10 de março de 1917, na Fazenda Angola, em Batatais, SP. Seus padrinhos foram GIOVANNI MANTOVAN, irmão de MARIA MANTOVAN, e a esposa dele OZÍLIA CALEGARI, que o batizaram em Batatais. Durante esse período, eles trabalhavam na lavoura de café da Fazenda Angola, local onde alguns irmãos de MARIA MANTOVAN também prestavam serviços.
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| Victor Livera |
O segundo filho, VICTOR LIVERA, nasceu em 13 de fevereiro de 1920, em Rifaina, SP. Seus padrinhos foram ROSA ALTAVILLA, tia materna de GIUSEPPE LIVERA, e o marido dela VICTOR FERRANTE, que o batizaram na região de Pedregulho. Neste período, GIUSEPPE reencontrou a família de sua tia ROSA ALTAVILLA, que havia desembarcado com ele no Porto de Santos. No registro, a localização é indicada como "Chave quilômetro quinhentos e três".
A
informação "Chave quilômetro
quinhentos e três" no registro pode se referir a um ponto específico
em uma estrada, rodovia ou ferrovia, utilizado para identificar uma localização
ou marco. Provavelmente, ela se refere à distância da ferrovia de Rifaina até
Campinas, considerando que a distância entre Pedregulho e Campinas é de 434 km.
Acrescentando mais 73 km da distância entre Rifaina e Pedregulho, o total se
aproxima de 503 km.
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| Pedro Livera |
O
terceiro filho, PEDRO LIVERA, nasceu
em 5 de março de 1923, em Batatais, SP. Isso indica que a família retornou para
Batatais. No caso de Pedro, ele foi o primeiro filho a nascer na área urbana da
cidade, em uma residência localizada na rua Germano Moreira, número 26. Além disso,
GIUSEPPE LIVERA foi testemunha do
nascimento de CATARINA MANTOVAN,
filha de GIOVANNI MANTOVAN e OZÍLIA
CALEGARI, que nasceu na Fazenda Passa-Tempo, em 1923, em Batatais.
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| Pascoal Livera |
O
quarto filho, PASCOAL LIVERA, nasceu
em 10 de abril de 1926, na Fazenda Monte
Alto, em Pedregulho, SP. A Fazenda
Monte Alto ficava em frente à estação
de trem do Chapadão, em Pedregulho. Eles trabalharam e moraram nesta
fazenda.
Aberta em 1888, a estação era inicialmente chamada
de Monte Alto. Em 1897, passou a se chamar Chapadão. A mudança ocorreu porque
os moradores de Jaboticabal reclamaram que havia uma cidade próxima com o mesmo
nome (Monte Alto), o que causava confusões nas entregas dos correios — vale
lembrar que, naquela época, o Brasil ainda não contava com o sistema de CEP.
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| Antonio Livera |
Por volta de 1927, eles adquiriram um sítio na
região da Chave da Taquara, em Crystaes, onde permaneceram por muitos anos. Foi
nesse período que nasceram dois de seus filhos: ANTONIO LIVERA, em 12 de dezembro de 1927, e JOÃO LIVERA, em 17 de outubro de 1930.
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| Igreja Senhor Bom Jesus da Lapa na região da Chave da Taquara |
Nesta região, passava a linha de trem que atendia as fazendas de café cultivadas ali. Perto de um bambuzal, havia uma chave que desviava os trilhos para um lado ou para o outro, e esse lugar passou a ser conhecido como Chave da Taquara. Não havia uma estação na Chave da Taquara, apenas a chave que fazia a mudança dos trilhos. Os primeiros ocupantes dessa região foram os baianos, que construíram as primeiras residências ao redor. Cinco anos depois, chegaram os italianos, que também se alojaram nesta área. Com o tempo, a região se desenvolveu, ganhando uma escola e a igreja Senhor Bom Jesus da Lapa. No entanto, após o café deixar de ser a principal atividade da região, o lugar ficou sem grandes investimentos em infraestrutura, mantendo suas características ao longo do tempo.
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| Casa do sítio dos Liveras |
Esta é
a residência onde os Liveras moraram e passaram boa parte de suas vidas em seu
sítio na Chave da Taquara. Tive a oportunidade de visitar o antigo sítio de Giuseppe
na companhia do meu avô Antonio Livera, da minha tia Maria do Carmo e do meu
pai. Meu avô relatou que a casa foi preservada, mantendo suas características
ao longo do tempo, como as janelas de madeira e o telhado de quatro
águas.
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| Região do Sítio dos Liveras |
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| Família Livera |
A foto
acima é o registro mais antigo da família Livera em sua primeira linhagem no
Brasil. Esse registro capta muito bem as condições da época em que Giuseppe
Livera se encontrava em solo brasileiro. Não temos a data exata do registro,
mas, pelo tamanho das crianças, podemos estimar que foi feito por volta de
1935, considerando que o filho mais novo aparenta ter cerca de 8 anos.
Provavelmente,
esse registro foi feito no sítio da família Livera, na Chave da Taquara, no
município de Cristais Paulista, SP. Giuseppe Livera e Maria Mantovan estão
sentados, cada um em uma cadeira de madeira, vestindo trajes mais formais. Ela
usa um vestido bordado branco e sapatilhas, enquanto ele está de calça, terno,
gravata em tons beje e sapatos.
Atrás
de Giuseppe está o filho mais velho, Arcangelo, vestido com calça e um blazer
escuro, complementado por uma gravata. Seu cabelo volumoso está penteado para
trás. Ao lado esquerdo de Arcangelo, encontra-se seu irmão Vitor, que usa um
terno bege com gravata, também apresentando cabelo volumoso, penteado para o
lado. À esquerda de Maria está seu caçula, Antonio, que, por sinal, era muito
apegado à mãe, o que explica sua proximidade ao tirar a foto com ela. Ele veste
um conjunto infantil composto por shorts e uma jaqueta em tons claros, além de
sapatos, e tem cabelo raspado, uma prática comum entre as crianças daquela
época. Ao lado de Antonio está seu irmão Pascoal, que usa um conjunto
aparentemente menor para seu tamanho, composto por calça curta e jaqueta,
também com cabelo raspado. À esquerda dele, seu irmão Pedro está vestido com um
terno e gravata, também com cabelo raspado.
Nos fundos, temos alguns pés de café, um tipo de cultivo praticado pelos integrantes da família Livera, sendo um dos principais símbolos que conecta a família.
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| Casarão de 1917 |
GIUSEPPE LIVERA adquiriu o casarão de 1917 do Senhor Eugenio Garcia Faria após vender seu sítio na região da Chave da Taquara, em 1951.
A
matriarca da família, MARIA MANTOVAN, faleceu sete dias após se mudar para o
casarão. Ela gostava muito do sítio e ficou muito abalada, tendo um
infortúnio em 1955. GIUSEPPE LIVERA e Antonio estavam descascando amendoim
quando Maria caiu repentinamente no chão. Apesar de tentarem reanimá-la,
infelizmente, ela já estava sem vida. Maria faleceu em 21 de agosto de 1955,
aos 66 anos, em Guapuã, e foi sepultada no cemitério de Cristais Paulista.
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| Óbito de Giuseppe Livera |




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