HISTÓRIA DA FAMILIA ALTAVILLA & MILLAURO NO BRASIL
- FILIPPO MILLAURO, de 8 anos
- SILVESTRE MILLAURO, de 6 anos
- PIETRO MILLAURO, de 4 anos
- MARIA MILLAURO, de 12 anos.
Também os acompanhavam sua mãe, GRAZIA
ALGOZINA, com 61 anos, viúva e seu irmão caçula FILIPPO
ALTAVILLA, com 16 anos, e seu sobrinho orfão GIUSEPPE LIVERA, com 14
anos, filho de sua irmã Maria Altavilla.
Eles imigraram para o Brasil de forma espontânea, viajando em 3ª classe no vapor ETRURIA, que partiu de Nápoles com destino ao porto de Santos, onde desembarcaram em 3 de maio de 1902. Eram devotos de San Filippo d'Agira e praticavam com fervor a fé católica. Contavam que a primeira refeição após a chegada foi uma simples batata-doce. Recordavam ainda que aportaram justamente na semana das festividades dedicadas ao padroeiro de sua terra natal, San Filippo d'Agira, celebrado em 12 de maio, na cidade de Agira.
O destino deles, indicado na hospedaria
dos imigrantes em São Paulo, foi a fazenda da "Anna Dias",
localizada em Santa Cruz das Palmeiras. Contudo, não encontramos nenhuma
informação que pudesse esclarecer o nome real da fazenda ou detalhes sobre a
"Fazenderia".
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| Registro Civil de Maria Millauro |
Com base na pesquisa realizada em
registros de batismo e registros civis disponíveis na plataforma do Family Search, foi encontrado apenas o
registro de nascimento de MARIA MILLAURO, a filha
mais nova, nascida em 6 de dezembro de 1900, em Agira, Itália. Como alguns
registros estavam bloqueados, a única forma de acessar essas informações adicionais era visitando um dos centro do Family Search.
A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi: será que ROSA
ALTAVILLA naturalizou seus filhos italianos como brasileiros, apenas
registrando-os tardiamente em cartórios brasileiros? Porém, eu não havia encontrado os
registros de batismo deles nas igrejas italianas, nem no registro civil da Itália. O próximo passo
seria aprofundar ainda mais a pesquisa nos registros disponíveis no Brasil.
2. SILVESTRE MILLAURO
No registro
de casamento de SILVESTRE MILLAURO consta que seu pai já havia
falecido e sua mãe estava morando em Rifaina-SP. Ele se casou com RITA OZÓRIO
MORAIS em 24 de maio de 1919, em Rifaina-SP. No registro indica
que os pais eram naturais de São Filippo de Agira, Catânia, Itália e
ele natural de Santa Cruz das Palmeiras-SP.
Pietro Millauro teria nascido em 1º de janeiro de 1898, possivelmente em Rifaina-SP, embora não tenha sido encontrado seu registro de nascimento nem na Itália nem no Brasil. Além de Rifaina-SP, alguns documentos indicam como local de nascimento o Chapadão, antiga estação da Companhia Mogiana situada em uma fazenda no atual município de Pedregulho ou ainda a própria cidade de Pedregulho, em São Paulo. No registro de casamento de Pietro Millauro, consta que seu pai já era falecido à época, enquanto sua mãe residia em Rifaina-SP.
Ele se casou com MARIA AMELIA DE JESUS em 30 de julho de 1921, em Rifaina-SP e tiveram os seguintes filhos:
- JOSÉ MILLAURO – Nascido em 23 de abril de 1922, Rifaina-SP, Brasil. Falecido em 14 de maio de 2002, Franca, São Paulo,
Brasil.
- JUVENAL MILLAURO – Nascido em 20 de janeiro
de 1925. Falecido em 1º de julho de 1986, Ribeirão Preto, São Paulo,
Brasil.
- INÁCIA MILLAURO – Nascida em 10 de novembro de 1928. Falecida
em 4 de dezembro de 2000, Franca, São Paulo, Brasil.
- MARIA APPARECIDA MILLAURO – Nascida em 8 de janeiro
de 1931. Falecida em 14 de julho de 1931.
- JOÃO MILLAURO – Nascido em 3 de janeiro de 1932, Franca,
São Paulo, Brasil. Falecido em 21 de março de 2008, Franca, São Paulo,
Brasil.
- OLÍVIA MILLAURO – Nascida em 21 de outubro de 1933, Franca,
São Paulo, Brasil. Falecida em 22 de dezembro de 1972, Franca, São Paulo,
Brasil.
- PEDRO MILLAURO – Nascido em 19 de maio de 1935, Franca, São
Paulo, Brasil. Falecido em 3 de julho de 1993, Franca, São Paulo, Brasil.
- CRESCIULA MILLAURO – Nascida em Igaçaba,
Pedregulho, São Paulo, Brasil. Falecida em 20 de fevereiro de 1995,
Franca, São Paulo, Brasil.
- ZELITA MILLAURO – Nascida em 13 de novembro de 1939, Franca,
São Paulo, Brasil. Falecida em 8 de maio de 2011, Franca, São Paulo,
Brasil.
EU decidi investigar essa hipótese e encontrei um registro de casamento religioso entre ROSA ALTAVILLA e VICTOR FERRANTE, datado de 1909, na cidade de Conquista, Minas Gerais. Nesse documento, ROSA é mencionada como viúva de GIUSEPPE MILLAURO. Além disso, registros de casamento de seus filhos já indicavam que GIUSEPPE MILLAURO havia falecido. Tudo aponta para o fato de que GIUSEPPE MILLAURO faleceu antes de 1909, possivelmente na região de Pedregulho-SP ou Rifaina-SP.
Após ficar viúva, Rosa Altavilla passou a viver com o italiano Victor Ferrante, com quem teve três filhos antes de oficializarem a união na igreja e no civil: Angelo Ferrante, Vitalina Ferrante e Vicente Ferrante.
Angelo Ferrante nasceu em 14 de outubro de 1905. Considerando o período de gestação, é provável que Giuseppe Millauro tenha falecido entre o final de 1904 e o início de 1905. Um indício relevante é o registro de óbito de uma criança chamada Gracia Melauro, falecida em 23 de outubro de 1904, em Santa Cruz das Palmeiras-SP. Nesse documento consta apenas o nome do pai, Giuseppe Melauro. O fato de a mãe de Rosa Altavilla se chamar Grazia reforça a possibilidade de que a criança fosse filha do casal, dado que nomes de avós eram comumente utilizados para batizar os primeiros filhos.
Além disso, os registros da hospedaria indicam que a família Millauro seguiu para trabalhar justamente na região de Santa Cruz das Palmeiras, o que aumenta ainda mais a probabilidade de que o Giuseppe mencionado no óbito seja o mesmo Giuseppe Millauro, marido de Rosa.
Assim, considerando o nascimento de Angelo Ferrante em 1905 e o óbito de Gracia Melauro em 1904, fortalece-se a hipótese de que Giuseppe Millauro tenha falecido entre o final de 1904 e o início de 1905.
Foi realizada uma pesquisa nos registros de óbito disponíveis em Santa Cruz das Palmeiras e Rifaina-SP, mas não foi encontrado nenhum documento contendo o nome de José Melauro ou Giuseppe Melauro. Também foi solicitada uma pesquisa diretamente ao cartório da cidade, porém, até o momento, não houve retorno.
- ANGELO FERRANTE, nascido em 14 de outubro de 1905, em Rifaina-SP.
- VICTALINA FERRANTE, nascida em agosto de 1907 em Rifaina-SP.
- VICENTE FERRANTE, nascido em 22 de maio de 1909, em Rifaina-SP.
- JOANA FERRANTE, nascida em 23 de fevereiro de 1914, em Rifaina-SP.
- SEBASTIÃO FERRANTE, nascido em 23 de junho de 1915, em Conquista-MG.
- ANTONIO FERRANTE, nascido em 29 de novembro de 1916, em Rifaina-SP.
Com base nos registros dos filhos de sua segunda união, ROSA ALTAVILLA retornou para a região de Rifaina-SP e Pedregulho-SP. ROSA ALTAVILLA faleceu em 2 de agosto de 1939, na Fazenda Bom Jesus, em Igaçaba, aos 56 anos, e foi enterrada no cemitério de Pedregulho, São Paulo.
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| Registro de óbito de Rosa Altavilla |
Meu objetivo era identificar o vapor no qual a irmã
de ROSA ALTAVILLA, ANGELA ALTAVILLA, teria vindo para o Brasil. Até então, o
nome do vapor era desconhecido. Além disso, eu queria verificar se ROSA ALTAVILLA havia visitado o Brasil antes de sua chegada oficial em 1902.
Com base nos registros de nascimento dos filhos italianos de ROSA ALTAVILLA, que supostamente poderiam ter nascido no Brasil, eu utilizei o acervo da plataforma do Museu dos Imigrantes. Eu realizei uma pesquisa minuciosa, analisando todas as listas de bordo anteriores ao nascimento de FILIPPO MILLAURO (Felipe Melauro), que ocorreu em janeiro de 1894, Santa Rita do Passo Quatro-SP.
A família MILLAURO e MORELLI embarcou no porto de Gênova em 11 de julho de 1893
com destino a Santos, São Paulo, Brasil. Estavam a bordo VINCENZO MILLAURO e sua esposa GRAZIA STANCANELLI e seus filhos, MARIA MILLAURO, FILIPPO MILLAURO e MARIANNA MILLAURO; GIUSEPPE MILLAURO e sua esposa ROSA ALTAVILLA; SALVATORE MORELLI e sua esposa ANGELA ALTAVILLA e seu filho CALOGERO MORELLI. Na lista de bordo, a cidade de origem
indicada era "Agira", na Itália.
Um fato muito triste marcou a viagem: VINCENZO MILLAURO, cunhado de ROSA ALTAVILLA, faleceu em 15 de janeiro de 1893 durante a travessia. No registro de falecimento disponível no perfil do FamilySearch, constava a cidade de Agira, Itália, como local de óbito.
O mais curioso dessa história é que, ao analisar o registro de óbito de VINCENZO MILLAURO, mencionava-se que ele havia falecido no vapor Rio de Janeiro. No entanto, como o foco da pesquisa estava voltado para ROSA ALTAVILLA, eu ainda não havia pesquisado detalhadamente os documentos relacionados aos parentes de GIUSEPPE MILLAURO e, por isso, não tive acesso a esses dados anteriormente.
O nome de VINCENZO MILLAURO faleceu jovem ao 23 anos, o seu nome foi riscado na lista de bordo e ao lado foi escrito "Morto a Bordo", porém os nomes de ROSA ALTAVILLA, GIUSEPPE MILLAURO, SALVATORE MORELLI, ANGELA ALTAVILLA e CALOGERO MORELLI também foram riscando.
- Posti: Refere-se aos lugares ou assentos
a bordo do navio.
- Interi: Significa passagem inteira ou lugar
completo, geralmente para um adulto que paga o valor total da passagem.
- Mezzi: Refere-se a meia passagem, ou
seja, um valor reduzido, como para crianças ou pessoas com condições especiais.
- Quarti: Indica lugares de quarta classe
ou acomodação simples, geralmente as mais baratas e menos confortáveis a
bordo.
- Gratis: Significa passagem gratuita, normalmente para crianças pequenas ou pessoas em situações específicas que viajavam sem custo.
Eles não ficaram hospedados na Hospedaria dos Imigrantes em São Paulo. Como SALVATORE MORELLI veio antes para o Brasil, em meados de 1888, é provável que eles já tivessem um destino pré-definido para se deslocar e, por isso, não utilizaram o suporte oferecido pelo governo do Brasil. Outra possibilidade seria que eles não tenham embarcado nesse vapor.
Por meio de registros de nascimento, constatamos que a família de ROSA ALTAVILA morou inicialmente em Santa Rita do Quatro Passos-SP em 1894, enquanto sua irmã foi morar em Rifaina-SP por volta de 1897.
Com essa informação em mãos, podemos afirmar que, de fato, seus filhos: FILIPPO MILLAURO, SILVESTRE MILLAURO e PIETRO MILLAURO nasceram no Brasil, enquanto sua filha MARIA MILLAURO nasceu na Itália.
O pai de ROSA ALTAVILA e ANGELA ALTAVILA , faleceu em 1894, após a ida delas para o Brasil. É provável que, após se estabelecerem no Brasil, ROSA ALTAVILA tenha retornado para a Itália em meados de 1898 para trazer outros familiares que permaneceram lá. Posteriormente, ela embarcou novamente para o Brasil com sua família em 1902.
O maior aprendizado nesta pesquisa foi que não podemos nos limitar à história de apenas um membro da família. Para entender melhor o contexto, é necessário nos aprofundarmos nos registros históricos de todos os membros da família e, assim, decifrar cada lacuna aberta. Cada documento contém uma informação esperando para ser utilizada, permitindo que compreendamos a história como um todo.
CURIOSIDADE: O sobrenome de GIUSEPPE MILLAURO sofreu várias modificações ao longo do tempo, aparecendo como José Melauro, José Melnor, José Melano, José Melaro, José Melavo e José Melavro. Essas variações influenciaram o sobrenome de seus filhos e netos. Em contraste, o nome de ROSA ALTAVILLA permaneceu mais intacto, facilitando a identificação dos registros de seus descendentes, embora também tenha sofrido algumas variações, como Artavilla, Altavila, Altovilla e Altaville.


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