MARIA MANTOVAN: UMA HISTÓRIA DE RAÍZES E RESILIÊNCIA


Maria Mantovan nasceu em 6 de maio de 1896, Santa Cruz das Palmeiras, no interior de São Paulo, filha de Pietro Giovanni Mantovan e Teresa Secco (Treviso, Veneto, Itália), italianos que trouxeram consigo as tradições e o espírito trabalhador de sua terra natal. 

Não temos muitas informações sobre a juventude de Maria Mantovan antes de sua união com Giuseppe Livera. No entanto, relatos de alguns parentes sugerem que ela teria se juntado inicialmente com um homem que não a tratava bem. Devido a essa situação, Maria optou pela separação.

Mais tarde, ela conheceu Giuseppe Livera, que também havia se separado de sua primeira esposa. Como a família de Maria já residia em Batatais e Brodowski, tudo indica que o casal tenha se conhecido em Batatais, no interior de São Paulo.

A partir dessa união, Maria e Giuseppe iniciaram uma jornada pelo interior paulista, passando por diversas cidades até se estabelecerem em Cristais Paulistas, no bairro rural da Chave da Taquara. Lá, adquiriram um pequeno sítio que se tornou o cenário de uma vida repleta de trabalho e desafios. 

Família Livera & Mantovan

GIUSEPPE e MARIA tiveram juntos seis filhos homens, que são:

·       Arcangelo Livera – nascido em 10 de março de 1917, em Batatais, SP

·       Victor Livera – nascido em 13 de fevereiro de 1920, em Rifaina, SP

·       Pedro Livera – nascido em 5 de março de 1923, em Batatais, SP

·       Paschol Livera – nascido em 10 de abril de 1926, em Pedregulho, SP

·       Antonio Livera – nascido em 12 de dezembro de 1927, em Crystaes, SP

·       João Livera – nascido em 17 de outubro de 1930, em Crystaes, SP

Os italianos daquela época eram conhecidos pela união familiar. Embora o principal meio de transporte para longas distâncias fosse a estrada de ferro, isso não impedia os irmãos e irmãs de Maria, que moravam em regiões próximas de Santa Cruz das Palmeiras, de visitá-la. Meu pai conta, com emoção, sobre uma ocasião especial em que a família de minha avó se reuniu no sítio. A casa ficou cheia, transformando-se em uma verdadeira festa familiar.

Casa no sítio da Família Livera & Mantovan

A distância entre a estação ferroviária da Chave da Taquara e o sítio era de apenas 3 quilômetros, o que facilitava as visitas. Esse encontro foi um momento de grande alegria, especialmente porque fazia muito tempo que minha avó não via os irmãos. A reunião foi tão marcante que até o sobrinho de Maria, que visitou o sítio naquela época, guardou a lembrança por toda a vida, contando-a com carinho até pouco antes de falecer, há cerca de três anos.

Enquanto isso, meu pai, Antonio de Oliveira, o filho mais novo, desempenhou um papel especial na família: foi "encomendado" para cuidar de Maria em sua velhice. Enquanto os quatro irmãos mais velhos iam para a roça, ele ficava com a mãe, vivendo uma infância cercada de mordomias – pelo menos até o dia em que tudo mudou.

Um dia, levado pela curiosidade, meu pai começou a brincar com uma enxadinha. Ao vê-lo, meu avô exclamou com um sorriso irônico:
— Antônio, está querendo capinar? Pois bem, vou providenciar uma enxada de verdade!

Aos oito anos, meu pai deu adeus à vida despreocupada e começou a trabalhar na lavoura, capinando ao lado dos irmãos. Além disso, tinha a tarefa de levar a comida para todos, percorrendo 2.500 metros até o campo.

Com o passar dos anos, os grandes fazendeiros vizinhos começaram a cercar suas terras, dificultando o acesso e pressionando para que vendessem o sítio. Acuados, acabaram cedendo e arrendando uma lavoura de café de Aristóteles Branquinho. Contudo, o contrato, que deveria durar cinco anos, foi encerrado em dois, forçando a família a buscar outro rumo.

Meu avô então comprou uma casa na cidade de Cristais Paulistas. Já envelhecidos, ele e Maria passaram a ser cuidados por meu pai. Maria, sempre perspicaz, às vezes olhava para Antonio e dizia com melancolia:
— Acho que não vou viver para ver você casar...

Infelizmente, suas palavras se concretizaram. Maria faleceu antes que meu pai encontrasse sua companheira, Antonia Garcia Oler, uma espanhola. No dia do casamento de meu pai, uma curiosa coincidência: ele dividiu o altar com sua sobrinha, Pedrolina, que também se casava com Antônio Careta.

Pouco tempo depois, meu avô também partiu, deixando os filhos para seguirem seus próprios caminhos. Antonio decidiu comprar as partes da casa herdadas pelos irmãos e ali permaneceu até o fim de sua vida, cultivando as memórias e os ensinamentos de Maria. Sua vida foi marcada pela luta, pelo amor e pela união familiar – um legado que continua vivo em nossas histórias.



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