MARIA MANTOVAN: UMA HISTÓRIA DE RAÍZES E RESILIÊNCIA
Não temos muitas informações sobre a juventude de
Maria Mantovan antes de sua união com Giuseppe Livera. No entanto, relatos de
alguns parentes sugerem que ela teria se juntado inicialmente com um homem que
não a tratava bem. Devido a essa situação, Maria optou pela separação.
Mais tarde, ela conheceu Giuseppe Livera, que
também havia se separado de sua primeira esposa. Como a família de Maria já
residia em Batatais e Brodowski, tudo indica que o casal tenha se conhecido em
Batatais, no interior de São Paulo.
A partir dessa união, Maria e Giuseppe iniciaram uma jornada pelo interior paulista, passando por diversas cidades até se estabelecerem em Cristais Paulistas, no bairro rural da Chave da Taquara. Lá, adquiriram um pequeno sítio que se tornou o cenário de uma vida repleta de trabalho e desafios.
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| Família Livera & Mantovan |
GIUSEPPE e MARIA tiveram juntos seis filhos homens, que são:
· Arcangelo Livera –
nascido em 10 de março de 1917, em Batatais, SP
· Victor Livera –
nascido em 13 de fevereiro de 1920, em Rifaina, SP
· Pedro Livera –
nascido em 5 de março de 1923, em Batatais, SP
· Paschol Livera –
nascido em 10 de abril de 1926, em Pedregulho, SP
· Antonio Livera –
nascido em 12 de dezembro de 1927, em Crystaes, SP
· João Livera –
nascido em 17 de outubro de 1930, em Crystaes, SP
Os italianos daquela época eram conhecidos pela união familiar. Embora o principal meio de transporte para longas distâncias fosse a estrada de ferro, isso não impedia os irmãos e irmãs de Maria, que moravam em regiões próximas de Santa Cruz das Palmeiras, de visitá-la. Meu pai conta, com emoção, sobre uma ocasião especial em que a família de minha avó se reuniu no sítio. A casa ficou cheia, transformando-se em uma verdadeira festa familiar.
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| Casa no sítio da Família Livera & Mantovan |
Enquanto isso, meu pai, Antonio de Oliveira, o
filho mais novo, desempenhou um papel especial na família: foi "encomendado"
para cuidar de Maria em sua velhice. Enquanto os quatro irmãos mais velhos iam
para a roça, ele ficava com a mãe, vivendo uma infância cercada de mordomias –
pelo menos até o dia em que tudo mudou.
Um dia, levado pela curiosidade, meu pai começou a
brincar com uma enxadinha. Ao vê-lo, meu avô exclamou com um sorriso irônico:
— Antônio, está querendo capinar? Pois bem, vou providenciar uma enxada de
verdade!
Aos oito anos, meu pai deu adeus à vida
despreocupada e começou a trabalhar na lavoura, capinando ao lado dos irmãos.
Além disso, tinha a tarefa de levar a comida para todos, percorrendo 2.500
metros até o campo.
Com o passar dos anos, os grandes fazendeiros
vizinhos começaram a cercar suas terras, dificultando o acesso e pressionando
para que vendessem o sítio. Acuados, acabaram cedendo e arrendando uma lavoura
de café de Aristóteles Branquinho. Contudo, o contrato, que deveria durar cinco
anos, foi encerrado em dois, forçando a família a buscar outro rumo.
Meu avô então comprou uma casa na cidade de
Cristais Paulistas. Já envelhecidos, ele e Maria passaram a ser cuidados por
meu pai. Maria, sempre perspicaz, às vezes olhava para Antonio e dizia com
melancolia:
— Acho que não vou viver para ver você casar...
Infelizmente, suas palavras se concretizaram. Maria
faleceu antes que meu pai encontrasse sua companheira, Antonia Garcia Oler, uma
espanhola. No dia do casamento de meu pai, uma curiosa coincidência: ele
dividiu o altar com sua sobrinha, Pedrolina, que também se casava com Antônio
Careta.
Pouco tempo depois, meu avô também partiu, deixando os filhos para seguirem seus próprios caminhos. Antonio decidiu comprar as partes da casa herdadas pelos irmãos e ali permaneceu até o fim de sua vida, cultivando as memórias e os ensinamentos de Maria. Sua vida foi marcada pela luta, pelo amor e pela união familiar – um legado que continua vivo em nossas histórias.




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