PASCOAL LIVERA - LAVRADOR DO CAFÉ

Pascoal Livera

Tio Pascoal Livera (Paschoal de Oliveira) nasceu em 10 de abril de 1926, em Pedregulho (Estação do Chapadão/ Monte Alto), São Paulo, filho de Giuseppe Livera e Maria Mantovan. Ele se casou com Maria Aparecida Molina, natural de Franca, filha dos espanhóis Manuel Gascô Escribá, natural de Valência, e Maria Dolores Molina Bebel, natural de Almería, Espanha.



Pascoal Livera e Maria Aparecida (Tia Ninica)

Segundo um relato de Maria Aparecida, ela fugiu de casa para se casar com Pascoal quando tinha apenas 17 anos. Pascoal, antes de qualquer coisa, conversou com o delegado, e um amigo em comum, Miguelzinho, buscou Maria Aparecida (apelidada de Tia Ninica) e a levou para a casa do delegado, onde ela passou a noite. Enquanto isso, Pascoal ficou no sítio. No dia seguinte, Giuseppe Livera e Pascoal foram até o delegado, que determinou que Maria Aparecida ficaria sob a guarda do Tio Victor Livera até o dia do casamento. Ele e Tia Ninica, cujo nome verdadeiro era Maria Aparecida Molina, tiveram oito filhos: José Carlos (Carlito), Maria de Lurdes (Lurdinha), Manuel Donizete (Mané), Antonio Roberto (Toninho), Pascoal (Pascoalim), Aparecida de Fátima (Fátima), Paulo Sérgio (Serginho) e Márcia (Marcinha).

Pascoal Livera e Antonio Livera

Tio Pascoal era o irmão mais próximo em idade do meu pai Antonio Livera, e os dois sempre estiveram juntos. Nunca saíram da mesma cidade e trabalharam muito na roça. O veículo de trabalho de Tio Pascoal era a bicicleta, que usava para ir até a roça, assim como meu pai Antonio Livera. 

Em alguns momentos, Tio Pascoal arrendou uma pequena lavoura de café, onde tive a oportunidade de trabalhar com ele. Meu pai, Antonio Livera, também ajudava, principalmente durante as colheitas. O relacionamento entre os dois era muito próximo. Raramente passava uma noite sem que Tio Pascoal fosse até a casa do meu pai ou vice-versa para conversar sobre a lavoura. Eles discutiam o estado do café, se estava brotando, se era necessário apinar, entre outros assuntos do trabalho.

Tia Ninica, Antonio Livera, Pascoal Livera, Mané (Filho), Fátima (Filha) e Aurelio (Neto)

Ambos também trabalharam juntos na fazenda do Samelo, um dos maiores produtores de calçados de Franca, onde foram funcionários registrados. Com a ida do meu Tio Pedro para Franca, a família de Tio Pascoal foi a que mais convivi. Meus primos, de idades próximas à minha, vinham à nossa casa brincar, jantar e tomar café, e nós fazíamos o mesmo na casa deles.

Tia Ninica

Tia Ninica, além das atividades domésticas, dedicava-se ao cultivo de hortaliças e à torrefação de café. Ela acordava bem cedo para torrar o café no quintal de sua casa, que tinha um galinheiro e um forno na frente. Ela dizia que precisava terminar a torra antes do sol nascer para levar o café ao supermercado Bastianini para moer. Tia Ninica era conhecida por sua alegria, simpatia e receptividade, sempre prestativa com amigos e familiares.

Lurdinha e Pascoal Livera

Tia Ninica também apreciava o Jogo do Bicho, adorava dançar nos bailes promovidos pela prefeitura e viajar para conhecer cidades vizinhas. Seu bom humor era contagiante. Ela costumava brincar sobre o detector de metais no banco, dizendo que tinha um “38”, referindo-se ao tamanho do sapato, o que sempre arrancava risadas. Outra piada antiga sua era sobre casamento:


“Quem casa com mulher magra não pode ter alegria, casar com mulher magra, cruz credo, Ave Maria.
Quem casa com mulher gorda se lambuza na gordura, em pouco tempo, coitado, vai parar na sepultura.
Quem casa com mulher baixa, considero perdida. As baixas são ciumentas, pobrezinho do marido.”


Além de trabalhar com café, Tio Pascoal tinha grande interesse por hortaliças e chegou a montar hortas comerciais. No entanto, ele sempre trabalhou para sobreviver, sem acumular muitas posses, além da casa onde morava, que permanece até hoje, mesmo após seu falecimento em 10 de agosto de 2007.

Em certo momento, seu filho Pascoal, apelidado de Pascoalim, comprou um ponto em Franca, onde montaram um bar juntos. Porém, devido à bondade de Tio Pascoal, que permitia vendas fiadas, o bar acabou não dando certo, pois muitos clientes não pagavam.

Essas lembranças mostram como Tio Pascoal foi trabalhador, generoso e próximo da família, deixando uma história rica em simplicidade e afeto.


"Aos 17 dias de abril de 1926, nesta cidade de Pedregulho, em meu cartório compareceu José Oliveira, na presença das testemunhas abaixo assinaladas, e declarou que no dia 10 da corrente mês e ano, às 7 horas, em domicílio neste distrito, na Fazenda Monte Alto, nasceu uma criança de cor branca, do sexo masculino, que se chamará Pascual, filho legítimo do declarante, lavrador, com 32 anos, natural da província de Catânia, Itália, e de sua mulher, Maria Mantovani, com 32 anos, natural de Palmeiras, casada em Palmeiras e residente neste distrito. São avós paternos Arcangelo Oliveira e Maria Altavilla, e avós maternos Pedro Mantovani e Tereza Seco."




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Simpatia para Cortar o Medo de Andar da Criança

REGISTROS FOTÓGRAFICOS DA FAMÍLIA LIVERA

Família GARCIA & MIRANDA - IMIGRANTES ESPANHÓIS