A Doce Toninha: Símbolo de Amor e Bondade


Minha avó paterna Antonia Garcia Oller nasceu em 12 de março de 1925, na cidade de Crystaes-SP, às 14h, na própria residência de seus pais, na região da Chave da Taquara. Era filha legítima do espanhol Ignacio Santiago Garcia Miranda e da espanhola Maria Del Carmen Oller Granado.

Registro de Nascimento de Antonia Garcia Oller

Seus avós paternos eram Luiz Garcia Martins, natural de Laroya, Almería, Espanha, e Antonia Miranda Sanchez, natural de Velefique, Almería, Espanha. Os avós maternos eram Gines Oller Ramos e Maria Josefa Granado Perez, ambos naturais de Cantoria, Almería, Espanha.


Seus pais espanhóis Ignacio Santiago Garcia Miranda e Maria Del Carmen Oller Granado

Recebeu o nome de Antonia em homenagem à sua avó paterna, Antonia Miranda Sanchez. Contudo, seus pais já haviam nomeado sua primeira filha mulher, nascida em 1913, com o mesmo nome, mas que faleceu em 1914. Após 11 anos de seu falecimento, decidiram batizar a sétima filha com o nome Antonia.

Sua avó espanhola Paterna Antonia Miranda Sanchez

Seu pai, Ignacio Santiago Garcia Miranda, nasceu em 25 de julho de 1887, em Laroya, na Espanha, filho de Luiz Garcia Martins, natural de Laroya, Almería, Espanha, e Antonia Miranda Sanchez, natural de Velefique, Almería, Espanha. Veio para o Brasil com seus pais e irmãos, aos 10 anos de idade, a bordo do vapor Les Alpes, no dia 13 de outubro de 1897. Ele era agricultor e trabalhou no cultivo de café. Adorava festas, tocava acordeão, possuía carteira para conduzir charrete e era benzedor, conhecimento que transmitiu à sua filha Antonia.

Sua mãe, Maria Del Carmen Oller Granado, nasceu em 29 de junho de 1887, em Cantoria, na Espanha, filha de Gines Oller Ramos e Maria Josefa Granado Perez, ambos naturais de Cantoria, Almería, Espanha. Veio para o Brasil com seus pais e irmãos aos 9 anos de idade, escondida no vapor Béarn, no dia 9 de janeiro de 1897. Seus pais se casaram em 10 de setembro de 1910, na cidade de Franca, São Paulo, Brasil. Da união de Ignacio Santiago Garcia Miranda e Maria del Carmen Oller Granado, nasceram:

1.     Luiz Garcia Oller
2.     Antonia Garcia Oller
3.     Maria Garcia Oller
4.     Carmen Garcia Oller
5.     Dolores Garcia Oller
6.     Gines Garcia Oller
7.     Antonia Garcia Oller
8.     Inacio Garcia Miranda Filho
9.     Josepha Garcia Oller
10. Mercedes Garcia Oller Batista

Familia de Antonia Garcia Oller - Tio Pedro (Irmão da Maria del Carmen), Tia Carmen, Tio Gines, Vó Antonia, Tio Inacio, Tia Dolores, Tia Maria, Bisavó Maria Del Carmen, Tia Mercedes, Bisavó Ignacio Santiago e Tio Luiz

Minha avó ANTONIA tinha o apelido carinhoso de Toninha. Durante sua juventude, seu pai, muito exigente, não deixava nenhum filho sem trabalho. Na época, eles acordavam às 5h30 da manhã para trabalhar no sítio. Na propriedade chamada Sítio Cabeceira do Barreiro, cultivavam café, batata inglesa, feijão, milho, hortaliças e criavam gado, vacas, porcos, galinhas, galos, patos e perus. Sua mãe, Maria del Carmen, fazia pão, sabão, abatia porcos e cozinhava para a família.

Minha avó Toninha conseguiu estudar apenas até a segunda série, mas sabia juntar as palavras e se comunicar bem. Ela gostava de frequentar a igreja da Chave da Taquara e passear pela praça de Cristais Paulista. Seu pai tinha uma carroça e, frequentemente, levava ANTONIA e seus irmãos para passear.

Na época, seus pais precisavam muito da ajuda dos filhos para trabalhar no sítio da família, conhecido como “Cabeceira do Barreiro”. Devido às atividades no cultivo de café, os filhos demoraram para se casar; a maioria contraiu matrimônio após os 30 anos.

Esse foi o caso da minha avó Antonia Garcia Oller, que se casou com meu avô, Antonio Livera, em 1º de julho de 1957, na cidade de Guapuã, São Paulo. Antonio nasceu em 12 de dezembro de 1927, em Crystaes, São Paulo, filho do italiano Giuseppe Livera, natural de Agira, Sicília, Itália, e de Maria Mantovan, nascida em Santa Cruz das Palmeiras, filha de italianos.

Registro original do dia do casamento

Foto do casamento de Antonia Garcia Oller e Antonio Livera em 1957

O casamento dos dois foi muito memorável, pois seus pais patrocinaram a festa, que teve muito vinho até as crianças provaram. No final, todos estavam dançando, animados e felizes, celebrando a união de Antonia e Antonio.

Dessa união nasceram dois filhos:

1.     José Inacio Livera (Nacho ou Zé Inacio)

2.     Maria do Carmo Livera (Tia Tita)

Vó Antonio e Vô Antonio em 1984

Para manter a tradição, Antonia e Antonio deram aos filhos os nomes dos avós: José Inacio, em homenagem ao avô paterno Giuseppe Livera e ao avô materno Ignacio Santiago Garcia Miranda; e Maria do Carmo, em homenagem à avó materna Maria do Carmo e à avó paterna Maria Mantovan.

Tia Tita, Vó Antonio, Nacho e Vó toninha

Minha avó Toninha adorava cozinhar. Seus pratos preferidos eram macarronada, frango caipira, polenta e, especialmente, doce de abóbora, que se tornou uma tradição familiar. Mesmo após seu falecimento, em 1991, meu avó Calabrês, como era conhecido, manteve a tradição de preparar o doce para os netos, filhos e nora, que amavam esse sabor marcante da família.

Máquina de Costura de Antonia Garcia Oller

Máquina de Costura de Antonia Garcia Oller

Além de cuidar dos filhos, da casa e de cozinhar, Toninha também trabalhava como costureira e bordava. Costurava para sua família e oferecia seus serviços para amigos e colegas da cidade. Ela também era benzedeira, prática que iniciou aos 28 anos, após uma visão em que ouviu uma voz dizendo: 'Você tem que ajudar as pessoas e precisa ser benzedeira.' Seu pai IGNACIO e suas irmãs, CARMENMERCEDES e MARIA, também eram benzedeiros. A sexta-feira era o dia em que mais pessoas a procuravam para benzer, buscando alívio para males como mau-olhado, quebranto, vista cansada, espinhela caída, dores na coluna, dor de cabeça, entre outros.

Antonia Garcia Oller em Aparecida

A devoção da minha avó Toninha, devota de Nossa Senhora Aparecida, foi tão intensa que ela chegou a visitar duas vezes o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, São Paulo.

Ela tinha um carinho especial pelas flores e adorava cultivar plantas brancas e rosas em seu jardim, trazendo delicadeza e beleza no seu quintal de casa. Ao menos uma vez por mês, ela visitava seus pais no sítio Cabeceira do Barreiro. Era sempre uma luta acordar os filhos cedo para fazerem uma caminhada de quase 4 km até o sítio. Ela dava o comando e fazia os dois, Nacho e a tia Tita, levantarem para irem visitar seu avô, Ignacio Santiago Garcia Miranda.

Quando minha avó Toninha recebia os netos em casa, corria até o mercado para comprar guarda-chuvas e moedas de chocolate, e preparava seu famoso doce de abóbora para recebê-los. Ela transmitia paz, bondade e muito amor. Todos que a conheceram só faziam elogios, sempre destacando as qualidades maravilhosas de Toninha.
Toninha no Quintal com suas flores brancas e rosas


A casa onde Antonia e Antonio moraram após se casarem

Sempre que os visitávamos no interior de Cristais Paulista, ao chegarmos, meus avós nos aguardavam ansiosos, com o jantar já pronto: macarronada, arroz, frango na panela, jiló, batata, farofa e salada. Para os netos, não podia faltar refrigerante, especialmente o de maçã.

Jantar em Familia - Prima Fatima, Vó Antonia, Vó Antonio, Amiga, Tia Tita e Nora Marli

Jantar em Familia - Prima Fatima, Vó Antonia, Vó Antonio, Amiga, Tia Tita e Zé Inacio

No dia seguinte, era comum acordar ao som dos galos, do sino da igreja, do rangido das portas e do rádio, sempre sintonizado na Rádio Três Colinas, que na época tocava as melhores músicas sertanejas e caipiras. Não era comum meus avós ligarem a televisão; a tradição mais forte era o rádio.

Lembro-me de que a claridade do quarto ia tomando conta e, ao abrir os olhos, me deparava com o teto alto. Ao me levantar, cruzava com meu avô, que estava retornando da padaria trazendo um pacote de biscoito de polvilho, pão francês, presunto e queijo fresquinho.

— Bença, vô.
— Deus te abençoe. Você está boa?
— Estou sim.

Em seguida, eu entrava no banheiro para lavar o rosto, enquanto, ao fundo, o som da rádio ecoava e as conversas sobre a família começavam a se misturar com a música.

Vó Antonia, Vô Antonio e Neta Mislaine

Ao chegar à cozinha, o cheiro do café se espalhava pelo ar. A mesa já estava preparada para receber os hóspedes que haviam acabado de enfrentar mais de mil quilômetros de estrada. Cada xícara tinha um design diferente e, sobre a mesa, não podia faltar o famoso doce de abóbora e o cafezinho coado na hora, feito com café da Alta Mogiana. Assim, começávamos mais um dia de convivência com meus avós.

Quando menos esperávamos, chegava uma presença ilustre: a tia Ninica, sempre sorridente e contagiante, trazendo alguma hortaliça para nos oferecer. Eram momentos de grande alegria em família.

Vó Antonia, Vô Antonio e Neta Mislaine

ANTONIA faleceu de câncer em 9 de agosto de 1991, aos 66 anos, na cidade de Barreto, onde estava internada para tratar o cancer, um mês antes do nascimento de seu neto  Alexandre, que veio ao mundo em 9 de setembro de 1991.

Tive pouco convívio com minha avó, mas as memórias compartilhadas por seus filhos, marido e amigos eram tão fortes que mantinham sua presença viva em nossas visitas. Sempre visitamos o cemitério para lembrar a presença dessa mulher, símbolo de bondade e amor, que jamais será esquecida por sua família.

Vó Antonia, Vô Antonio e Tia Tita


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